Depois de voltar a sofrer ataques do prefeito Jorge Mário, o médico e empresário Roberto Petto, ex-prefeito de Teresópolis, concedeu entrevista à Rádio Teresópolis, Terê TV Canal 11 e ao TERESÓPOLIS JORNAL onde voltou a desmentir as acusações que foram feitas pelo chefe do Executivo, dando conta de que a administração anterior ao seu governo teria deixado dívidas na casa de R$ 23 milhões.

Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, transmitido em cadeia pela Rádio Teresópolis e pela Terê TV, Roberto Petto falou ao comunicador Wilson Mendes. Bem humorado e mostrando segurança nas colocações, ele recordou que no início do mandato, Jorge Mário teria dito que encontrou os cofres da Prefeitura com apenas R$ 54 mil. “Deixamos empenhados R$ 7 milhões. Eu liguei para o secretário de Administração e passei essa informação para eles, pedi para que não deixassem o funcionário de lado”, revelou Petto.

Ele lembrou as alegações do Governo em relação à falta de recursos do Carnaval. “Ninguém viu nenhum investimento em função da economia que foi feita no Carnaval, onde o povo viu o desfile de pé, sem banheiros e sem iluminação”. O ex-prefeito lembrou que, apesar de “quebrada”, a administração tentou fazer um contrato de lixo com dispensa de licitação que custaria ao erário cerca de R$ 8 milhões e que um escritório de advocacia foi contratado pelo valor de R$ 500 mil para defender a cidade contra o pagamento de precatórios.

Falando em precatórios, Petto lembrou que seu governo não teve nenhuma condenação. “Nós pagamos dois precatórios, um herdado pelo ex-prefeito Celso Dalmaso, do caso Vivendas, e outro de Roger Malhardes, da Praça Olímpica. São transitados e julgados. Tivemos de pagar. No governo de transição, Jorge Mário me disse que não pagaria e que contrataria um escritório para não ter a obrigação de pagar”, revelou Roberto, que lembrou que em seu governo eram pagos cerca de R$ 15 milhões por ano em precatórios. Segundo ele, se não fosse pago, o valor seria confiscado das contas bancárias da Prefeitura.

Roberto diz desconhecer o valor da dívida de R$ 23 milhões que Jorge Mário teria herdado de sua administração. “Do total arrecadado, anunciado no Impostômetro, de cerca de R$ 160 milhões, ele teria gasto até hoje, em valores arredondados, cerca de R$ 60 milhões com a folha de pagamento. O que ele fez com os outros R$ 100 milhões?”, questiona Roberto, que aponta todas as acusações de dívidas como meros argumentos para acusar seu governo. “Não dá pra entender o fato de tudo o que acontece ser culpa do meu governo. E se a dispensa de licitação do lixo tivesse acontecido? Como eles pagariam os R$ 8 milhões?”, questiona.

Petto lembrou ainda das inaugurações que Jorge Mário fez até agora. “Tudo o que ele inaugurou, ou melhor, reinaugurou, foi feito por nós. Em alguns casos, ele retirou as placas que colocamos, como o Centro de Saúde Eithel Abdalah e o Casarão Cultural Arthur Dalmaso. Quer outra? A obra de ampliação e preparação do Aterro Consorciado foi assinado entre mim e o governador Sérgio Cabral”, recorda Petto. Segundo o ex-prefeito, um folheto que está sendo distribuído traz também benefícios que foram conseguidos por ele. “Cursos profissionalizantes, todo mundo sabe, foram criados pelo secretário Jorge Farah, da mesma pasta de Indústria e Comércio que o Jorge Mário extinguiu. Quero lembrar que essa pasta foi criada atendendo um pedido dos empresários da cidade. A ACIAT, a Fecomércio, a CDL, todos foram consultados e aprovaram a criação. Será que eles foram favoráveis também a extinção da secretaria?”, questiona Petto.

Segundo o ex-prefeito, outra secretaria que foi extinta por Jorge Mário, a de Defesa Civil, foi criada por seu antecessor e foi apontada como modelo para outras cidades do Estado, que seguiram o exemplo para criar as suas secretarias. “Existem formas mais eficientes e inteligentes de economizar, que não através da extinção de pastas importantes”, pondera Petto, que lembrou ainda que a Prefeitura teve gastos significativos em eventos, como a Chocoserra e a Feport. “Se os cofres estão vazios e a Prefeitura tem dívidas, não deveria gastar tanto com eventos, não é?”, apontou.

Roberto Petto finalizou a entrevista tranquilizando o funcionalismo público. “Tenho certeza que a Prefeitura vai renovar com a Unimed o plano de saúde dos funcionários. Ainda vão dizer que, apesar das dívidas, eles vão manter o plano para os servidores e vão colher os frutos disso. Vão querer usar esse público como massa de manobra”, antecipa.

“Acertei muito e também errei. Tenho consciência disso. A diferença é que não jogo a culpa em ninguém. Teresópolis hoje está sofrendo e a administração tem que estar atenta a isso”, finaliza.