Cerca de R$ 1,1 bilhão já foram gastos na obra durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa

 

O secretário de Estado de Cidades (Secid-MT), Wilson Santos, estima que a conclusão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Cuiabá e Várzea Grande deve custar aos cofres públicos entre R$ 400 e R$ 450 milhões. O preço final, porém, deve ser estimado só no final de janeiro de 2018 quando estará concluído o novo edital para licitação do modal, cujas obras estão paralisdas há mais de três anos.

As declarações foram dadas em entrevista a Rádio Capital, nesta terça-feira (12). Wilson explicou que o valor que o Estado iria gastar para concluir a obra paralisada desde dezembro de 2014 – R$ 922 milhões, segundo acordo fechado com o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, empresa escolhida para implantar o sistema de transporte e que teve o contrato rescindido na última quinta-feira (5) -, deve diminuir em mais de 40% em razão da dispensa de multa contratual com o Consórcio. “Nós temos R$ 193,4 milhões congelados. Acreditamos que com mais R$ 200 a R$ 250 milhões a gente termina o VLT. Até o final de janeiro vamos ter o preço fechado. Vai ficar entre R$ 400 e R$ 450 milhões. Porque saímos da obrigação de pagar esses R$ 313 milhões do passivo”, disse o secretário.

Os R$ 313 milhões, citados por Wilson Santos, referiam-se aos compromissos firmados com o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande que não foram cumpridos. Porém, a deflagração pela Polícia Federal da “Operação Descarrilho”, em agosto deste ano, que apurou uma série de irregularidades e indícios de superfaturamento na implantação do VLT, motivou a abertura de um procedimento administrativo pelo Governo de Mato Grosso, que acusa a empresa de causar prejuízos aos cofres públicos do Estado, possibilitou a rescisão unilateral do contrato.

Wilson Santos também defendeu a opção pelo Regime de Contratação Diferenciada (RDC) para realizar o contrato com empresa que irá terminar as obras do VLT. O secretário disse que, ao contrário da gestão Silval Barbosa, o RDC será firmado sobre uma base de conhecimento que dispõe de quase 90%” do projeto executivo da obra, além da manutenção das cláusulas contratuais. “O RDC é como a faca. Você pode usar essa faca para cortar o animal, para o bem, e você usar essa faca para sangrar alguém, para tirar a vida de alguém. O nosso RDC, aquilo que estiver no edital, será assinado sem alterar nenhuma vírgula. Quais são as diferenças? Você tinha 0% de projeto executivo, hoje você tem quase 90% de projeto executivo”, disse Santos.

Durante a entrevista, Wilson Santos (PSDB), que está licenciado de seu cargo de deputado estadual da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) para exercer suas funções de secretário da gestão Pedro Taques (PSDB), revelou uma iniciativa inusitada: utilizar o exército para concluir o VLT. Ele disse que Taques chegou a autorizá-lo a falar com as Forças Armadas, por meio do 9º Batalhão de Engenharia de Construção (9º BEC), mas disse que um acordo não pode ser realizado pela falta de estrutura da corporação. “O 9º BEC não tem condições de assumir. Está tomado no Brasil inteiro. Eu procurei o 9º BEC, eu dei sugestão ao Pedro [Taques] para terminarmos o VLT com o 9º BEC, com o exército. Pedro [Taques] disse: ‘tá dada ordem’. [O exército] não tem interesse, não tem homens, não tem planejamento”, justificou.